domingo, julho 02, 2006

Baú da infância: ingenuidades que se vão perdendo

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Dois colegas deparam-se com uma nota de mil escudos, frente a um super-mercado. O que fora o primeiro a dar com ela, chama a atenção do outro. O primeiro, movido por certos escrúpulos, talvez por receio que o dono dê pela sua falta e volte atrás para a recuperar, hesita entre apanhá-la ou deixá-la no sítio. O outro resolve sumariamente a questão: apanha-a e guarda-a no bolso. O primeiro, perante o pragmatismo do colega, não pode deixar de ficar ressentido consigo próprio.
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5 Comentários:


Anonymous papoila disse...

Como é bom podermos recordar...
Um dia, na estação de Sta Apolónia, encontrei no chão, uma nota de quinhentos escudos. Muito ingenuamente perguntei ao bagageiro o que devia fazer e ele disse-me: -Olha, é a nota que perdi há bocado....

03/07/06, 13:53  

Anonymous papoila disse...

Ao reler o que escrevi...não "há" nenhum bocado, mas sim "à bocado"...acontece...

03/07/06, 17:45  

Blogger Cláudio disse...

Isso é um pequeno reflexo da nossa sociedade, em que já não há espaço para esses escrúpulos. Hoje em dia, quem não agir como esse bagageiro nas mais diversas situações, é logo motivo de chacota...

03/07/06, 17:49  

Blogger impressaodigital disse...

mas acho que hà sempre lugar para a consciência.
Enquanto miúdos, pensamos sempre o quão cobardes fomos por não ter apanhado a nota, ainda que saibamos dar o braço a torcer por o nosso amigo a ter apanhado, mesmo que alertado por nós.
Quando adultos, os dois amigos, se não rasgarem a nota a meio, podem ir rasgando o elo que os une... e isso é que me faz lamentar a existência materialista.

04/07/06, 14:10  

Blogger Cláudio disse...

Pôr em risco uma amizade por questões materialistas... isso nunca!

04/07/06, 15:21  

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