sexta-feira, julho 07, 2006

Reencontros

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(Warren Criswell, A Woman Lighting a Joint, 1999)


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A maior parte do tempo passei-o a escutá-la com a atenção de um amigo devoto. As suas palavras fluíam sonantes, com a força que a maturidade lhes imprime. Algo em mim revolvia-se no estremecimento de a reconhecer tão longínqua e mudada, como se a barreira dos anos cirandasse ainda a nossa pretensa proximidade. Uma vez silenciada a sua voz, os seus lábios cingiram ao de leve a ponta do cigarro. Coleava entre os nossos tímidos olhares uma fina serpente de fumo, que parecia exaurir para longe o desejo de extravasar a torrente de palavras inauditas. Refreadas as primeiras emoções e a tentação de me trair desse falso pedestal de sobriedade, insinuou-se no seu belo rosto um sorriso apaziguador de todas as distâncias.
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3 Comentários:


Anonymous papoila disse...

Como era bom, que um simples sorriso, pudesse ser (muitas vezes), um elo apaziguador....

09/07/06, 18:23  

Blogger Cláudio disse...

Sem dúvida, Papoila... Às vezes é quanto basta para nos sentirmos reconfortados.

10/07/06, 00:26  

Anonymous angi disse...

:,-) ( lá estas tu... estarei hipersensível ou és tu?)

19/07/06, 12:24  

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