domingo, setembro 03, 2006

As ruínas de Luxor

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(daqui)


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As tuas palavras trariam uma nova luz a qualquer cidade. Asseguro-to eu que as bebi noite e dia sem as esgotar. Não se esgota o que é infinitamente bom, seguro e permanente, como tudo quanto receba o aval dos confins mais silenciosos da alma. Dizem que tudo passa, que tudo se esboroa. Mas esta cidade, que por agora habito sozinho, edifiquei-a para durar. As tuas palavras e o teu olhar bastam ao seu ciclo de vida, aos seus amanheceres e deitares. Em todo o caso, se nunca a vieres habitar comigo, sobrarão as suas ruínas. E serão fulgurantes, ruínas imponentes como as de Luxor. Eu, guardião fiel das suas memórias, vislumbrá-las-ei sempre com o mesmo fulgor inicial que me descompassava o peito e cuidarei que o tempo não inscreva nunca as suas máculas.
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(O Rumo Que Dou A Certas Ficções)
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