domingo, setembro 03, 2006

Comme si tu étais en retard sur la vie...

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René Char (foto de Man Ray)

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René Char "Commune Présence"

Tu es pressé d'écrire,
Comme si tu étais en retard sur la vie.
S'il en est ainsi fais cortège à tes sources.
Hâte-toi.
Hâte-toi de transmettre
Ta part de merveilleux de rébellion de bienfaisance.
Effectivement tu es en retard sur la vie,
La vie inexprimable,
La seule en fin de compte à laquelle tu acceptes de t'unir,
Celle qui t'est refusée chaque jour par les êtres et par les choses,
Dont tu obtiens péniblement de-ci de-là quelques fragments décharnés Au bout de combats sans merci.
Hors d'elle, tout n'est qu'agonie soumise, fin grossière.
Si tu rencontres la mort durant ton labeur,
Reçois-là comme la nuque en sueur trouve bon le mouchoir aride,
En t'inclinant.
Si tu veux rire,
Offre ta soumission,
Jamais tes armes.
Tu as été créé pour des moments peu communs.
Modifie-toi, disparais sans regret
Au gré de la rigueur suave.
Quartier suivant quartier la liquidation du monde se poursuit
Sans interruption,
Sans égarement.

Essaime la poussière
Nul ne décèlera votre union.

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Um poema que me diz muito. Que descobri por acaso, como muitas vezes acontece com as coisas que vêm ao nosso encontro sem sabermos muito bem como nem porquê, mas que a partir daí nos passam a dizer muito. Quero partilhá-lo com todos, daí a minha humilde tentativa de o traduzir. Tão humilde, tão humilde que apenas me servi de um dicionário e do meu escasso francês liceal, sem olhar a outras traduções mais canónicas ou canonizadas. Assumo assim todos os erros eventuais, que não devem ser poucos.
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"Presença Comum"

Tens pressa em escrever
Como se estivesses atrasado para a vida.
Se assim é vai em cortejo às tuas fontes.
Apressa-te.
Apressa-te em transmitir
A tua parte maravilhosa rebelde benfazeja.
Efectivamente estás atrasado para a vida,
A vida inexprimível,
A única a que afinal aceitas unir-te,
A que te é recusada a cada dia pelos seres e pelas coisas,
De que obténs penosamente daqui e dali alguns fragmentos descarnados
No final de combates impiedosos.
Fora dela, tudo mais não é que agonia submissa, fim grosseiro.
Se encontras a morte durante o labor,
Recebe-a tal como à nuca suada lhe agrada o lenço árido,
Ao inclinares-te.
Se quiseres rir,
Oferece a tua submissão,
Nunca as tuas armas.
Foste criado para momentos pouco comuns.
Modifica-te, desaparece sem remorso
Ao grado do rigor suave.
Quarteirão a quarteirão prossegue a liquidação do mundo
Sem interrupção,
Sem desvio.

Enxameia a poeira
Nada deterá a vossa união.
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(tradução minha)
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2 Comentários:


Blogger Maria P. disse...

Estou feliz, hoje consegui colocar aqui um comentário!!

É maravilhoso este poema, fico encantada com o teu gosto.

Fica bem, beijinho:)

03/09/06, 22:19  

Blogger Cláudio disse...

Obrigado Maria. Fico contente por também teres gostado do poema :) Beijinho.

05/09/06, 23:03  

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