sexta-feira, junho 02, 2006

Desígnio nacional: a anexação espanhola?

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Em cada esquina lusa há um profeta que anuncia alto e bom som: "O messias, o nosso salvador, virá da terra de nuestros hermanos !"

Um messias que virá para construir um reino de paz e justiça onde por estes dias prolifera a ralé. Provavelmente virá numa manhã de nevoeiro, escoltado por D. Sebastião. Se este, em tempos, com a desgraça que semeou em Alcácer Quibir, "entregou" o país aos espanhóis, porque não uma segunda vez? É capaz de ser uma profecia com potencial para agradar a sebastianistas e a iberistas.

Sinais que apontam para esse novo desígnio, segundo a óptica previdente desses profetas? Eis alguns:
- primerio que tudo: a desgraça, o défice, a corrupção, a falta de cultura (cívica, intelectual, iliteracia, etc...), as mentalidades estreitas... enfim, os problemas crónicos que assolam grande parte dos sectores da vida pública em Portugal;
- os colunistas que desistiram do país e o entregariam de bandeja aos nossos vizinhos;

- os partos que se avizinham em Badajoz;
- um número significativo de estudantes que tentam a sua sorte na vizinha Espanha para entrar em Medicina;
- médicos espanhóis têm vindo a fixar-se nos centros de saúde do interior do país, para onde os médicos portugueses não querem ser "desterrados";
- o caso Iberdrola;

- o ministro das obras públicas que confessa a sua costela iberista (fait-divers sobrevalorizado pela direita - CDS-PP - sempre zelosa em matérias de soberania, uma vez que não encontra mais assuntos por onde se afirmar);
- cada vez mais portugueses deslocam-se a Espanha para abastecer o depósito dos carros e para fazer compras de todo o tipo;

- as Mangas, as Zaras e os El Cortes quase tão disseminadas como as lojas chinesas.
O que esses profetas teimam em ignorar é que a Espanha já tem problemas que cheguem com as suas províncias e ficar com mais uma - que ainda por cima se afunda num défice crónico - equivaleria quase a um suicídio colectivo.

Enquanto o nosso desígnio nacional não se desfizer no Mundial, continuamos a ser portugueses e a pendurar a mais bela bandeira nas varandas. Enquanto Figo e companhia pisarem relvados alemães e se ouvir o hino nacional de mão ao peito, os nossos B.I.s estarão a salvo.

Mas e se a Selecção das Quinas ficar a meio caminho no Mundial? Aí as trombetas irão soar, este pequeno rectângulo será varrido pelo apocalipse e as fronteiras a leste e a norte do país acabarão por ruir. Levantar-se-ão então, com grande satisfação, as vozes do costume para que desta vez, em vez de apoiarmos os nossos irmãos brasilêros, apoiemos antes os nuestros hermanos.

1 Comentários:


Anonymous papoil@ disse...

Uma maneira muito lúcida de descrever a situação...e de escrever...
Mas sempre ouvi dizer "de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos..."
If...o cenário for de derrota...eu vou torcer pelos brasilêros,,,oh se vou...Gosto mais do samba...

02/06/06, 21:02  

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