terça-feira, julho 18, 2006

Banhos de mar

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(tirado daqui)

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Os risos estridentes e os gritos de alegria das crianças na recepção do primeiro embate das ondas. Algumas sob o olhar vigilante dos pais, que sorridentes aprovam as suas investidas temerárias; outras, aparentemente entregues à sua sorte. Pequenas mãos que chapinham na água ondulante e salpicam todos em redor; ou que colhem conchas dos mais variados feitios à beira-mar.

Os adultos que molham lentamente os membros, como se de um ritual se tratasse: o de preparar o corpo para o mergulho. E quando por fim mergulham, afiguram-se-lhes incomensuráveis os instantes nesse mundo de profundezas e correntes, cujas leis lhes parecem estranhas.

Alguns corpos bóiam com total liberdade e lassidão à superfície do mar - um extenso espaço ondulante que parece ter vida própria -, como que embalados por uma mão que tivesse suspendido o tempo e tudo em seu redor.

Outros vêem formar-se as cristas de ondas prontas a despenharem-se sobre eles em fúria irreprimível. Desses, alguns ainda esbracejam inutilmente, mas acabam por se deixar levar nesse impulso quase primordial; outros são tragados num turbilhão de correntes instantâneas, para logo emergirem à superfície, inspirando sofregamente e sacudindo o seu espanto para longe.

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3 Comentários:


Anonymous papoila disse...

Então cá estou...

"...aparentemente entregues à sua sorte."
Verdade que muitas vezes me causa arrepios e já me tem feito sair da beira-mar.
Uma descrição excelente...que me fez sentir uma vontade enorme de estar lá....

19/07/06, 00:36  

Blogger Cláudio disse...

O irresistível apelo do mar, não é?
;)

19/07/06, 23:06  

Anonymous papoila disse...

Sempre...
:)

19/07/06, 23:58  

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