sexta-feira, setembro 22, 2006

Post "só porque sim"


Teclo furiosamente. (O meu “furiosamente” deixaria muito a desejar se fosse dactilógrafo, mas como não sou...). Os olhos pesam-me mais que a tonelada que carreguei ao peito ao longo do dia. Algumas palavras via sms, muito bonitas, muito intensas, bastaram para me desembaraçar de todo esse peso. O peito fez-se peito de novo, a modos que a conseguir respirar com alguma normalidade e sem aquele batimento caótico que impõe um ritmo alucinante aos pensamentos mais díspares.

Com os meus irmãos em tierras de Espanha e como se não bastasse a falarem cada vez melhor o castelhano, tenho-me sentido solo. O que hei-de dizer? Tivesses sido mais esperto e também andarias por lá... Adiante, que não estou a gostar deste tom... Se começas a fazer beicinho, amanhã acordas com má cara... o que não dá jeito nenhum, visto que amanhã é dia de fazeres a barba... E perguntam vocês: "Mas como é que não dá jeito nenhum para...". Bem, isso é cá comigo e com os espelhos... Por aí não, que também não estou a gostar e já nem parece meu...

Neste momento, ao longe, o canto fora de horas de um galo com péssimo sentido de orientação (solar, evidentemente), teima em fazer-se ouvir. Deve ser daqueles que tremem todos por dentro, quando berram: “primeiros!”. É precoce o galito, só pode. O alvorecer ainda lhe deve parecer um conceito estranho, ou então anda à bulha com uma insónia.

Depois desta pequena nota campestre, pouco me sobra para dizer, além de mais notas campestres. Sim, o campo é realmente muito absorvente. Especialmente à noite, quando as poucas luzes (já não são assim tão poucas por estas bandas) não constituem obstáculo de maior às estrelas que vão pontuando o céu.

A música desliguei-a há uns minutos, uma pessoa também tem que se dar uma pausa e apreciar o silêncio. A música da natureza também sabe bem. Se viverem na cidade e tiverem um desses cd’s ricos nos mais variados sons do reino animal e mineral, aconselho. Mas nada melhor que o original, claro. Por exemplo, do relvado frente ao meu quarto sobem até mim uns rumores esquisitos... Insectos? Mamíferos? Não sou entomologista, nem o Gregor Samsa (mamífero sou, mas neste caso pouco ajuda) para distinguir se são de cópula ou não. (O teclar furiosamente ao fluxo da consciência tem destas coisas, leva-me inconscientemente para aí...). Por vezes, certos rumores desencadeiam pensamentos de outra ordem, que por sua vez nos reenviam para pensamentos de uma outra ordem e que por sua vez... E também isso pode ser absorvente... “Restricted area!” diz-me o fluxo de consciência. Ok, não vamos por aí...

Há tanta coisa sobre a qual queria falar e nunca o faço... nem sei bem porquê. A preguiça dá o seu contributo, claro. E para não a contrariar acho melhor parar por aqui.

6 Comentários:


Blogger  disse...

Oi!
Às vezes a raiva e o desespero bate mais forte do que outras, mas o importante é não esquecer a estrela que nos guia. Aproveita por isso a menor luminosidade artificial e não a percas e claro, já sabes que os amigos, perto ou longe andam sempre ai...

22/09/06, 12:02  

Blogger Cláudio disse...

Zé, tão bom sentir que os amigos estão sempre assim presentes. Não estava tomado de um acesso de raiva, muito pelo contrário. Teclava furiosamente no sentido de tentar captar o rol de pensamentos que tão depressa chegavam quanto se volatilizavam. Não havia raiva, nem desespero. O que poderia sentir nesses termos em relação ao não-estudo, já o digeri. Já parti para outra. Guio-me por uma estrela, sempre, e quero fazer coisas. Obrigado amigo!

22/09/06, 15:55  

Blogger redonda disse...

Lembrei-me de um método que costumava utilizar quando tinha de estudar e não me apetecia:
punha-me a dactilografar o que tinha de decorar e ... posso dizer que isso fez com que agora escreva bastante depressa (agora aprender a matéria é que...)
Um beijinho e um bom fim de semana

22/09/06, 22:47  

Blogger romã disse...

Que fixe o texto... tam sabor a campo.
Escreves bem.
Obrigada pela visita.

22/09/06, 22:56  

Blogger ana disse...

Descreves um cenário campestre muito parecido com o meu... o relvado que também tenho em frente a casa e os ruídos da bicharada que sempre me intrigam, o cantar dos galos que se ouve por vezes de madrugada, e as luzes que já são muitas para as estrelas se verem bem... há dias no momento em que fiquei sem electricidade aí sim consegui vê-las bem, o momento é que não foi nada oportuno...

Beijinho

24/09/06, 23:07  

Blogger Cláudio disse...

Redonda: além das qualidades que já conhecia, descubro que também dactilografas bem. É uma desculpa a menos que podes usar, no caso de começares a postar pouco no teu blog... :) Beijinho.

Obrigado Romã :) Onde vivo não é bem campo campo, é mais casas, jardins e quintais cada vez menos envoltos por pinhal caruma e pinhas, cujos aromas intensos se fundem bastante bem com a maresia à medida que nos aproximamos da praia que é muito perto daqui...

Ana: Hoje ainda é mais cedo do que da vez em escrevi o post, e o galo já se faz ouvir (deve ter as orelhas quentes). Há muito poucas situações em que falhar a luz é oportuno... não me peças é para dizer em quais, que isso é assunto mais complicado que uma simples nota campestre... :) Beijinho

26/09/06, 02:48  

Enviar um comentário