sexta-feira, agosto 31, 2007

"Mal" de Alberto Seixas Santos (1999)

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Digressão algo pessimista sobre uma civilização doente, a braços com uma profunda crise de valores, onde há despejos, droga, demolições, abandono, egoísmo, roubo, adultério, morte, solidão, suicídio, SIDA. Para tanto mal parece justo pensar não haver redenção possível. No final, que peca por saber a pouco, apenas isto: um agitar de velhas profecias bíblicas (às portas do novo milénio): o apocalipse, não ao som de cornetim, mas de estridentes sirenes. De certo modo um fim reinventado, porque contido, não literal: há escuridão, desesperada correria, corpos nus e gritos anunciando o fim do mundo, mas não se vêem chamas. Apenas uma luz que cega e "vozes de anjos". Ausente, ou em aberto (por omissão), a representação simbólica do objectivo purificador que preside à destruição. Sem curas milagrosas, o mundo contemporâneo lá segue o seu caminho, não se sabe se para melhor se para pior. Ao menos a viagem continua, mas, aparentemente, não o daquelas personagens. Não o sabemos. Uma nota de esperança, mesmo que ténue, é o que em vão se procura no corte abrupto do filme.
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1 Comentários:


Anonymous Loucura disse...

passei por aqui, mando um beijo do nada, do grande nada surgiu um beijo.

03/09/07, 01:09  

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