domingo, abril 15, 2007

Ping & Pong [3]

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- Estive a reler algumas coisas tuas. Sobre isto tenho a dizer que não se percebe absolutamente nada. Quase nada, pronto.

- Não tenho culpa... Como "autor" lanço apenas pistas.


- Lavas as mãos como Pilatos, é o que é. Começo a desconfiar que essa desculpa virá a servir para tudo quanto já escreveste e virás a escrever, não é?...


- Até certo ponto, não estarás longe de me ter apanhado. Clareza de exposição só está ao alcance dos que sabem escrever. É muito mais fácil lançar umas pistas aqui e ali, do que produzir um edifício coeso de raíz.


- Calma lá... Olha que nem tanto ao mar, nem tanto à terra...


- Será?


- Não sei como, mas acho que a linha divisória neste tu-cá-tu-lá está lentamente a desvanecer-se, a tornar-se menos nítida...


- É normal. Somos os dois constantemente assolados por dúvidas.


- Nisso és capaz de ter razão... Mas que papel é o meu afinal?


- Sabe-se lá. Nestas coisas dos papéis, das posições, nunca se percebe bem como é que se dão as trocas e as atribuições.


- Já vi que te estás a distrair da partida e a resvalar para terrenos com um certo potencial de ambiguidade.


- Pura imaginação tua.


- Imaginação, decididamente não. Não a chames para aqui, senão aí é que isto resvala mesmo.


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2 Comentários:


Anonymous Madrigal disse...

Caro amigo.

Gostei desse diálogo/monólogo, que eu utilizo tantas vezes que chego a pensar que há mais de um um Eu dentro de mim ou estou possuido de algum sintoma esquizóide - ms para meu descanso, acho que se trata mesmo de um estilo de retórica, um expediente literário, ou uma forma aturada de me pensar a mim mesmo e me indagar...
Um abraço
Madrigal

15/04/07, 13:58  

Blogger Cláudio disse...

Nisto de perder tempo a escrever, (no meu caso, pela amostra destes "textos", tem sido de facto tempo perdido), desconfio que as fronteiras entre sintomas esquzóides e expedientes literários têm vindo lentamente a esbater-se... Um abraço.

16/04/07, 17:30  

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